Tuesday, March 21, 2006

O doce de leite e as invenções divinas


Defendo a teoria que Deus, além de brasileiro E carioca, vive ali pelos lados da Pedra da Gávea. Se não for lá, acredito que seja em algum lugar entre o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor. Em outras épocas um pouco mais tranqüilas, defenderia a Vista Chinesa como Residência Oficial, mas atravessamos a fase “Rio de Janeiro sem lei” (ou com uma espécie de lei paralela, realmente não importa).
Após ter criado o mundo, Deus ficou um pouco cansado. Entretanto, o mundo ainda não estava completo, faltava muita coisa. Então, Ele criou os arquitetos para ajudá-Lo. Só não contava que os arquitetos criassem o Niemeyer. Essa foi traição feia. Não foi por causa do Niemeyer que fomos expulsos do Paraíso, é certo. Mas, graças a ele, fomos condenados a ver um museu que é um disco voador, outro museu que é um olho, uma cidade em forma de avião e o prédio da ONU que é um retângulo de concreto, com toda a (falta de) graça e beleza de um retângulo de concreto. Devemos nos alegrar, a situação já foi pior. Nos anos 60, parecia que viveríamos para sempre entre pilotis. Apesar de gostar do MAM, agradeço por essa moda ter passado.
Fato é que estando Deus verdadeiramente chateado com o que a arquitetura moderna vem fazendo (ou destruindo), resolveu descansar no café do cinema Odeon. Brilhante idéia! Lá experimentou o sorvete de queijo com doce de leite e constatou que, apesar de tudo, a vida é, pelo menos, divertida e saborosa. Juntando esse sorvete (inicialmente, muito estranho, mas delicioso) ao pão de queijo recheado também com doce de leite da Casa do Pão de Queijo, penso que Deus pode estar de malas prontas para alguma cidade do interior de Minas. Bem, é melhor do que pensar que Ele iria para a Argentina atrás do bendito doce de leite.
Por falar em invenções divinas, me lembrei que outro dia discutia com amigas a ordem de três de Suas criações. Passamos alguns minutos tentando saber o que veio primeiro: o sexo, a luz elétrica ou o interruptor. Devo dizer que não chegamos a qualquer conclusão. Analisando o assunto com calma formulei um pensamento que pode não estar correto, mas já é uma idéia com início, meio e fim (e pasmem: faz algum sentido!).
Penso que Deus criou primeiro o sexo. Então, a concorrência puritana disfarçada de diabo criou a luz elétrica e a televisão. Mas isso não é nada que O tenha abalado. Em um momento de extrema inteligência, Ele criou o interruptor e o botão Liga/Desliga. E, para dar um clima, fez o abajur e as outras luminárias de luz fraquinha. Assunto encerrado porque ninguém teria idéia melhor.
Ah, por favor, quebrem a luminária se ela for desenhada por Niemeyer e sua turma.

Sunday, March 19, 2006

Contra o marasmo? Chuchu made in São Paulo


Sábado, estava calma e tranqüila na fila de um hipermercado quando me deparei com a capa da revista Época; “Alckmin acabará com o marasmo”. Se não eram essas mesmas palavras, era algo parecido. Enfim, o importante é a idéia. A Época, revista da qual não sou muito fã, garante que o picolé de chuchu que governa São Paulo é a saída para o marasmo brasileiro.
Admito que preferiria Serra, o vampiro brasileiro, como candidato do PSDB. Pelo menos, não ia ter discussão, seria o presidente mais feio que o Brasil já teve. Mas ainda não foi dessa vez. E, se tinha que ser paulista, ficamos com o Alckmin mesmo que já está muito bom. Andam falando em uma aliança com o PFL, fala-se até de César Maia (blerghhh) como vice de Alckmin.
Bem, dizem que chuchu com camarão fica com gosto de camarão, chuchu com presunto, com gosto de presunto. Seguindo esse pensamento, Chuchu (com letra maiúscula porque é quase nome próprio) com César Maia (com maiúscula porque é uma fábrica de obras absurdas), daria César. Duvido! Não confio nessa chuchosidade toda do Alckmin. Ao contrário, acho que de bobo e insosso ele não tem nem a cara. Mas disfarça bem e, se ele é a única alternativa ao Lula, fazer o quê?
Mamãe, minha própria mãe, já começou a fazer sua campanha para o Chuchu. Ou, pelo menos, é uma campanha anti-Lula. Essa história de campanha política dá muito trabalho. E, nesse ano eleitoral, vou assumir o chuchu way of life e não transparecer o que penso a respeito.

Wednesday, March 15, 2006

Deeper underground



I’m going, I’m going, I’m going deeper undeground. Dia 25 de março tem show do Jamiroquai no Claro Hall. Está certo que Jamiroquai não é a melhor banda do mundo, mas eu até que gosto bastante.
Estou começando a adorar esse ano. Pensem comigo, um monte de coisas legais estão acontecendo e ainda nem terminamos o verão. Tenho certeza de que ainda tem muito mais. Gostaria de um show do Cake no Rio, mas isso é impossível porque ele fizeram um em SP ano passado. De qualquer forma, eu adoraria me acabar de dançar ao som de Never there na minha cidade querida.
Romeu e Julieta perdem – Parte II (Seja um leitor bonzinho, leia a parte I primeiro. Há razões para I vir antes de II)

Talvez esse seja o último post deste blog. Alguém garante que o meu bloguinho sobreviverá após tal comentário sobre a obra de Shakespeare? Para alguns, compará-lo a outro escritor já seria um insulto, o que dirão então de uma comparação desse tipo?
Realmente amo Shakespeare. Mas o Shakespeare dos Sonetos, de Hamlet e do Mercador de Veneza. Não gosto de Romeu e Julieta. Não gosto e explico por quê. Penso que Ofélia e Hamlet formam o casal mais bonito das peças do dramaturgo e poeta inglês. O amor deles é lindo. Hamlet até mesmo ameaça ser enterrado om Ofélia, quando esta é sepultada no meio da noite por ser suicida. (consegui encontrar um lugar confortável na barca e disponho de vinte minutos para apresentar meus argumentos) O sentimento entre eles é realmente muito comovente.
Meu problema com Romeu e Julieta é porque penso na história como um romance de adolescente. Talvez se esperassem um ou dois anos (ou talvez cinco) eles não teriam se suicidado. Teriam amadurecido e considerado se realmente se amavam ou se estavam apenas testando a paciência, os nervos e o senso de humor dos pais. Pelo menos, não teriam morrido. Mas aí a peça não seria um sucesso etc etc etc. eu sei disso e, de forma alguma, tento criticar quem escreveu o Mercador de Veneza. Só penso que uns anos a mais e Romeu e Julieta ou iriam fugir ou então desistiriam daquela paixão ardente. O que o tempo não faz, não é verdade?
Por essa e por outras, penso que Fitzwilliam Darcy e Elizabeth Bennett são um dos casais mais fofos da literatura inglesa. Ao lado de Hamlet e Ofélia, naturalmente. É uma paixão sincera entre dois teimosos incuráveis. É lindo de qualquer forma. A maneira como Darcy expressa seus sentimentos a Lizzy é, para mim, a essência do romantismo. A exteriorização de um sentimento feita por um homem tão frio é minimamente digna de atenção. E, claro, merece ser correspondido.
Do mesmo modo, a paixão da cabeça-dura Elizabeth por ele é a prova de que todas as mulheres têm coração. Mesmo aquelas que não são muito chagadas a mostrar isso. Para mim, o amor entre Mr. Darcy e Ms. Bennett é bacana, pois segue a linha sei-que-você-não-é-perfeito-e-amo-você. Na minha opinião, é um amor mais maduro do que o de Romeu e Julieta. Mas não podemos culpá-los. Os heróis de Shakespeare eram “adolescentes”.
Romeu e Julieta perdem – Parte I


Fui ao cinema no meio da tarde para assistir Orgulho e Preconceito. Almocei cedo e consegui chegar a sessão de 14h50 do Estação Paço. Esse é, junto com o Estação Botafogo 2 (dizem que vai fechar, mas isso já é outra história), a minha sala de cinema favorita. Ambas estão longe de ser modernas ou amplas ou qualquer outro adjetivo que possa ser dito sobre o Odeon e as salas do Arteplex. Depois da sessão, fiquei por um tempo dividida entre um café, uma água com gás e uma adorável torta de nozes. Enquanto escrevia esse post, vale dizer. Poucas coisas me deixam mais feliz do que um fim de tarde como esse.
Mas tinha prometido a mim mesma que falaria sobre o filme. Então, vamos a ele: é a adaptação para o cinema do livro homônimo de Jane Austen, autora inglesa do início do século XIX. Como sei que JA não é um clássico nas aulas de literatura das escolas cariocas (nem de qualquer outro lugar, senão a Inglaterra, eu suponho), resumirei a história. Cinco irmãs são praticamente agenciadas pela mãe, na Inglaterra dos anos 1800, em busca de bons casamentos. As duas irmãs mais velhas, Jane e Elizabeth, conseguem excelentes maridos que também são ricos. Mas é amor sincero em ambos os casos. O terceiro casamento é o de Lydia, a filha caçula que, apesar de não acertar muito, consegue desencalhar. Realmente, não me lembro, e o filme não mostra, o que aconteceu com as outras duas.
Li Orgulho e Preconceito pela primeira vez em 2001, eu acho. Tenho duas versões em casa. Uma dos anos 50 em inglês simplificado, para iniciantes, herança involuntária de vovô. Digo involuntária porque ele morreu bem antes de saber que a neta, nascida seis anos depois, iria se apoderar de seus livros. (Devo dizer que o café já virou refresco de tão frio, mas a torta ainda está ótima). A outra edição é mais moderna, comprei em 2001 e tem o bonitão Collin Firth na capa. É uma edição comemorativa da Penguin Books devido ao lançamento de uma séria do canal inglês BBC. Na série, Collin interpretava Mr. Darcy. Li as duas versões.
Admito que fui ver o filme com o livro praticamente decorado. Gostei do roteiro, apesar de ter mutilado algumas partes do livro. O filme de Joel Wright é perfeitamente fiel ao livro em seus primeiro 90 minutos. Depois, corta algumas partes para terminar de repente. Não chega a prejuicar o conjunto, mas... Mas meu problema é com a fotografia. Confesso que sou fã da fotografia do Laszlo Kovacs. Gosto de ver claramente todos os planos de um quadro e não sou grande apreciadora da mudança de foco entre dois cortes. Posso estar errada, talvez seja um sinal de genialidade focar e desfocar dentro de uma mesma cena. Não sei, não desmereç o trabalho de ninguém, apenas não gosto. E, principalmente, quando acontece toda hora.
Esquecendo a fotografia, as mutilações do roteiro e a supressão das frases iniciais do livro, que são excelentes, o elenco é ótimo. Adoro a família Sutherland (todos sabem da minha paixão por Kiefer e do meu respeito pelo meu meio sogro meio avô, Donald) e Donald está excelente como o senhor Bennett, pai das cinco meninas. (Meu Deus, há quanto tempo estou aqui? Vou perder a aula de Teoria da Percepção) O senhor Bingley, personagem adorável que se casa com Jane, é vivido por uma espécie de Elijah Wood mais alto, tipicamente britânico e ruivinho. Uma gracinha. Jane é uma adorável lourinha. E, Elizabeth, a heroína e segunda personagem que mais me agrada, é interpretada por Keira Knightley, uma mistura de Wynona Rider e Nathalie Portman. Darcy, o melhor personagem na minha opinião, é interpretado por umator britânico charmoso e com belos olhos azuis. (Ele é branco feito papel, tem cabelo escuro, olho claro e nariz comprido. Ahahahaah) Ele não é tão charmoso quanto Collin Firth, mas faz um ótimo trabalho. Bem, ano vou conseguir explicar a origem do título nesse post, pois preciso correr para Niterói e apresentar um trabalho sobre Em Busca da Terra do Nunca. Vou postar os dois textos juntos, poruqe faz mais sentido. Afinal, estou escrevendo em uma folha de fichário ordinária. Ou vocês pensaram que eu tinha um notebook para postar direto o que escrevo? Não, ainda não.

Friday, March 10, 2006

Roteiro


Eis o roteiro do meu almoço de terça-feira. Não. Eu não me rendi à feijoada. Nem pensar. Não como feijão de jeito nenhum. Ainda vou ser linchada por isso.

1 – INT Casa da Feijoada TARDE:

VERONICA está lendo o cardápio. Ao seu lado, está parado um GARÇOM devidamente paramentado e com um bloquinho na mão.

VERONICA percebe que há alguém ao seu lado. Ela vira a cabeça em sua direção e olha o GARÇOM. Agora VERONICA está impaciente.

GARÇOM
Vai querer alguma coisa pra beber?

VERONICA (OS)
O que eu faço agora? Pedir um suco. É isso.
Acho que assim ele já fica contente.

VERONICA
Ehhhhh, um suco de laranja.

GARÇOM
Mais alguma coisa?
VERONICA
Ehhhh, bem, não. Por enquanto, só o suco
Já está legal. Obrigada

2 – INT Casa da Feijoada MINUTOS DEPOIS:
VERONICA e a MAE estão sentadas em uma mesa.
MAE
Adoro aqui. O serviço deles é ótimo!
Os garçons nunca desaparecem. Estão sempre
Por perto.
VERONICA (OS)
Hora de concordar.
VERONICA
Ah, sim. Eles não somem nunca. Realmente.
O dia em que a feijoada venceu a Guiness


Na terça-feira de carnaval, eu e mamãe decidimos almoçar fora. E escolhemos ir à Zona Sul, mais precisamente à Ipanema. Eu estava num dia bem “pub”, ou seja, queria ficar largada, sentada quieta em um bar, enrolando uma Coca-Cola por horas e ainda comer alguma coisa. Então, convenci mamãe de que o Irish Pub, em Ipa, seria uma excelente opção para o almoço.
Mas o que a ingenuidade não faz... esqueci que perto do tal pub tem a Casa da Feijoada. Se tivesse lembrado, teria seguido por outro caminho, ido pela Visconde de Pirajá ou algo assim. Quando passamos em frente a Casa da Feijoada (CF), minha mãe disse: “Quero almoçar aqui.” Foram mais uns cinco minutos para convencê-la a entra no pub. Finalmente, consegui e... ela entrou, olhou o cardápio e disse: “Quero almoçar na CF.” e saiu. E lá fui eu atender o pedido.
Adoro pubs. A melhor coisa de um pub é o garçom, que não existe e é por isso que esses lugares são tão bons. Realmente, detesto aqueles garçons que ficam parados ao seu lado esperando você escolher de uma vez só a bebida, o prato e a sobremesa. Tive vontade de dizer: “Tudo bem, mãe. Vai lá, seja feliz e depois passe por aqui.” Mas teria que frisar bastante a terceira oração porque quem pagaria o meu almoço, seja no pub ou na CF, seria mamãe. E como ela escolheu a CF, lá fui eu.
Dominação financeira é uma merda!

Wednesday, March 08, 2006

Ainda Nao

Nooossa, só agora percebi que nao contei a historia do almoço de terça.
Don't go


É, não teve prece para Sao Nicolau que prendesse o tal servio aqui no Brasil. É verdade que há testemunhas que dizem que o cara ficou caido por uma mulata de escola de samba. Mas há outras versoes.Enfim, a vida é assim!

Thursday, March 02, 2006

E agora sobre o jogo
Nossa, já ia esquecendo de falar do jogo. Foi legal. 2x0 é sempre bom. Mas não vamos discutir aqui a qualidade do jogo. Enfim, nem vou falar que o juiz distribuiu cartões amarelos para o tricolor das Laranjeiras, expulsou um jogador (Ângelo, camisa 8 do Flu) e quase não viu as faltas do América. Também não vou levar em conta o fato de que o Fluminense só não levou gol porque o América não sabe como fazê-los. Em alguns memoentos, também, o Fluminense teria feito gol se metade do time não estivesse sabe-se Deus onde e se algum jogador americano tivesse tido a boa vontade de chutar contra.
Mas para um time que tem Paulo Campos (?) como técnico. Alguém pode me dizer quem é ele? O Fluminense faz questão de ser diferente. Tem (bom) goleiro chamado Fernando Henrique (??) e jogadores como Lenny (???, mas sabe fazer gol), Pitbul (ahn, ????) e Rissut (?????, o nome mais, digamos, peculiar).
Não posso reclamar de todo. Maracanã cheíssimo de turistas numa Quarta-feira de cinzas, vitória do time do coração, minha estréia no Maracanã ao lado do meu amigo Danilo (agora ele é universitário. Aiaiaiai, conto isso pra todo mundo)... em resumo, somando o carnaval, a vitória da Vila, o(s) sérvio(s) do Metrô, o jogo e o almoço de terça, meu feriado prolongado passa com louvor em qualquer prova. Até mais com as histórias mais absurdas de Molly B.
Hei de torcer, torcer, torcer
Ontem, dia da fundação da minha cidade querida, fui ao Maracanã pela primeira vez para assistir Fluminense e América. Sou tricolor roxa, mas devo admitir que meu passado nada tem do grená e, sim, do vermelho sangue do time tijucano.
Explico: quando tinha uns cinco anos, mamãe tinha um namorado bem bacaninha. Até achava que dali ia sair casamento e que eu ganharia irmãozinhos (se minha mãe sabe que eu explano a vida dela no blog, vou virar Kassler e ser servida com salada de batata). Bem, a vida não é perfeita e nada disso aconteceu. Enfim,... o importante é que o tal sujeito era, além de tijucano, torcedor fanático do América. Isso numa época em que o simpático clube da Zona Norte não disputava final de campeonato com o Botafogo. Na tentativa dele de me transformar em uma torcedora do América, ganhei uma linda camisa vermelha do clube que guardo em algum canto até hoje. Não sei onde está, mas é impossível que eu tenha dado essa camisa para alguém. Afinal, para quem eu daria uma camisa do América?
Ou melhor, quem aceitaria?
Vou procurar a tal camisa. Vai que eu consiga vender num leilão doido desses da internet. Não. É melhor esperar e ver o que o América apronta nesse campeonato. Vai que disputa a final da Taça Rio, o lucro seria bem maior. Nada disso. Vou guardar como prova do os adultos fazem com as crianças para provar que estão certos e que sabem das coisas. Ah, e também pelo valor sentimental.