Wednesday, February 22, 2006

Ele é o cara

Deve fazer uns cincos, seis anos que acompanho o trabalho de Lukas Moodysson. O único filme dele que não vi (e também não entendi) foi A hole in my heart. Já me disseram coisas terríveis sobre este filme, mas, sei não, na minha opinião, ele é O cara. É por isso que não entendo esse tal de A hole in my heart. Não acredito como alguém que fez Para sempre Lilja consegue fazer um filme tão bizarro. O único adjetivo que me lembro para definir isso é: triste.

Falando em Lilja-4-ever: esse filme é nota 9 na minha escala ou fantástico (ainda segundo o mesmo padrão de avaliação). O início já é perfeito: Mein Herz brennt (é Rammstein, mas eu respeito e até gosto dessa música) começa a tocar junto com as primeiras cartelas pretas dos créditos iniciais. Você está sentado no cinema, tudo escuro, esperando para ver o novo filme do diretor de Os Bem-vindos e Amigas de colégio e... E, de repente, entra aquela música pesada do Rammstein. Isso já deixa qualquer um tenso, mas esses são apenas os, sei lá, dez segundos. A primeira imagem é a chaminé de uma fábrica cuspindo fumaça negra, a legenda indica que estamos em Malmö, Suécia. A próxima cena é um travelling alucinado, o ponto de vista de uma pessoa correndo. Ouve-se a respiração ofegante, a música continua mais e mais forte. Mais tensão. Então, chega-se numa ponte. Somente ali é revelado a dona daquele ponte de vista. Uma adolescente loirinha agarrada à grade olha os carros lá em baixo. A cena seguinte leva o espectador para a Rússia, uns dois ou três meses antes da corrida pelas ruas de Malmö. Esse início é fantástico! Há melhores, é claro, mas considero primeiro minuto de Lija um dos três melhores da história do cinema. Mas isso não vem ao caso.

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